
Cisne Negro ou Quando Netuno encontrou Plutão
O espelho. Como é difícil em certos momentos olhar o espelho. Como é difícil em todos os momentos nos encararmos, principalmente quando não gostamos do que vemos. Ao mesmo tempo é, por outro lado, evolutivo descobrir todos os nossos lados e optar pelo que mais nos agrada sem pressão externa.
O espelho. Como é difícil em certos momentos olhar o espelho. Como é difícil em todos os momentos nos encararmos, principalmente quando não gostamos do que vemos. Ao mesmo tempo é, por outro lado, evolutivo descobrir todos os nossos lados e optar pelo que mais nos agrada sem pressão externa.
Li um livro (não me pergunte o nome, o avançar da idade me dificulta a memória) que em resumo contava a história de um homem em crise de identidade, que chegou a tal ponto onde ele começou a pensar que a esposa o amava como ele estava e não como ele era e se ela descobrisse como ele realmente era o largaria. E a loucura se espalhou pelos amigos, familiares enfim....conclusão.... a esposa o largou e ele foi para num hospital psiquiátrico para tentar sua recuperação.
Mas o que isso tem a ver com este Cisne Negro, nada e tudo ao mesmo tempo.
O filme acompanha a bailarina Nina Sayers, que finalmente ganha a oportunidade de protagonizar um espetáculo quando a antiga estrela do grupo de dança é obrigada pelo diretor a se aposentar. Profundamente dedicada Nina mora com a mãe, uma ex-bailarina, e enxerga a chance de estrelar O Lago dos Cisnes como a realização de um sonho, mas logo começa a sentir a pressão por não conseguir incorporar toda a sensualidade exigida pelo papel de Odile, o “cisne negro”. Torturada por estranhas visões Nina ainda enfrenta a ameaça representada pela chegada de uma nova bailarina, cuja espontaneidade logo atrai a atenção do diretor.
Simplificando é uma jornada de Netuno tentando encontrar Plutão. Portando não espere um filme leve, bonito e divertido. Cisne Negro é uma viagem assustadora, onde realidade e alucinação se misturam nos deixando absolutamente anestesiados.
Netuno por conta de toda a ambientação, a dança e não podemos nos esquecer que o filme se inicia com um sonho. Além, é claro, de todo o drama psicológico, alucinações etc. Plutão por conta da busca justamente do lado negro, perverso, erótico, sensual. Perceba como a espetacular direção de Darren Aronofsky trabalha lindamente no jogo de espelho com Nina. Aliás, o cineasta mostra inteligência ao forçar o público a compartilhar a paranóia de Nina, seus medos e seu crescente desequilíbrio psíquico e emocional, começando em pequenos instantes de incerteza, até atingir uma espécie de esquizofrenia descontrolada.
O que no traz a Natalie Portman. Nina é, provavelmente, uma virginiana com Ascendente em Peixes e Lua em Escorpião, o que comprova sua dedicação extrema pela perfeição, a dificuldade com a sexualidade e o desejo e sua expressão frágil e delicada, inclusive na voz. E Natalie entrega-se magistralmente à personagem tanto física como psicologicamente. E a gradual viagem para o seu cisne negro é tocante porque entendemos suas dificuldades, o que culmina na apresentação final que já pode figurar como um dos maiores feitos cinematográficos do século, tamanha beleza.
Contando com personagens coadjuvantes interessantíssimos, como a mãe, o diretor e a bailaria rival, todos com tipos bem definidos e importantes as suas maneiras no despertar de Nina. Cisne Negro é um filme fascinante, primoroso e de uma ousadia digna de aplausos.
Ficha técnica:
Cisne Negro (2010)
Dirigido por Darren Aronofsky. Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.
Cotação: *****
Cisne Negro (2010)
Dirigido por Darren Aronofsky. Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.
Cotação: *****
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